Durante muitos anos, a segurança da informação foi tratada como um projeto com começo, meio e fim. Instalava-se um firewall, configurava-se uma VPN, aplicavam-se algumas políticas e seguia-se a vida. O problema é que o mundo mudou, e rápido demais para esse modelo.
Hoje, dados não vivem mais em um único lugar. Eles transitam entre nuvem, aplicações SaaS, dispositivos pessoais, APIs, ambientes híbridos e, cada vez mais, modelos de IA. Nesse cenário, Zero Trust deixou de ser apenas um conceito técnico para se tornar uma mudança profunda de mentalidade organizacional.
E é aqui que entra um ponto crítico, muitas vezes negligenciado: Avaliação de maturidade. Sem ela, Zero Trust vira discurso. Com ela, vira cultura.
O erro clássico: tratar Zero Trust como produto
Após mais de duas décadas acompanhando projetos de segurança, de grandes data centers on-premises a ambientes altamente distribuídos, um padrão incômodo se repete: muitas organizações afirmam que “adotaram Zero Trust”, mas, na prática, transformaram o conceito em uma coleção de ferramentas isoladas, sem integrar de forma consistente processos, cultura e controles contínuos.
Implementaram MFA, compraram soluções de SDP ou ZTNA, segmentaram parte da rede e seguiram em frente. Tudo isso é válido, necessário e faz parte do caminho. O problema surge quando essas iniciativas não são conectadas por uma visão estratégica clara, orientada a risco e alinhada ao negócio. Nesse cenário, Zero Trust vira um rótulo tecnológico, não um modelo operacional.
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Esse descompasso aparece de forma clara em dados recentes do Gartner. Uma pesquisa publicada em 2024 aponta que cerca de 63% das organizações no mundo já implementaram total ou parcialmente uma estratégia de Zero Trust, mas, para a maioria delas, essa adoção cobre apenas partes do ambiente e mitiga apenas uma fração do risco real. Em outras palavras, existe implementação, mas não necessariamente maturidade.
O próprio Gartner reforça que Zero Trust não deve ser tratado como uma arquitetura estática ou um conjunto fechado de controles, e sim como uma jornada evolutiva, que precisa ser continuamente avaliada, ajustada e amadurecida conforme o ambiente, as ameaças e o negócio se transformam. Zero Trust não é um botão que se liga, é um processo que se constrói. E toda jornada madura começa, inevitavelmente, com diagnóstico.
Zero Trust como cultura organizacional
Antes do Zero Trust ganhar espaço, a cibersegurança era majoritariamente construída sobre pressupostos de confiança implícita. Estar “dentro da rede” significava ter acesso; ser colaborador, parceiro ou sistema conhecido bastava para atravessar camadas de controle com pouca fricção. Esse modelo funcionou enquanto ambientes eram previsíveis, centralizados e relativamente estáveis. Com o tempo, porém, ele criou zonas cegas, privilégios excessivos e uma falsa sensação de segurança baseada mais em perímetro do que em contexto.
Com a adoção gradual de práticas de Zero Trust, essa lógica começa a se inverter. A pergunta deixa de ser “quem você é?” ou “de onde você vem?” e passa a ser “isso faz sentido agora?”. Acesso deixa de ser permanente e passa a ser temporário, contextual e continuamente reavaliado. Identidade, postura do dispositivo, comportamento e risco assumem protagonismo. O resultado não é apenas mais controle, mas decisões de segurança mais alinhadas à realidade operacional do negócio.
Quando Zero Trust evolui de iniciativa técnica para prática recorrente, ele se transforma em cultura organizacional. Deixa de ser um tema exclusivo do time de segurança e passa a influenciar como sistemas são desenvolvidos, como acessos são concedidos, como exceções são justificadas, como incidentes são comunicados e como decisões são tomadas sob pressão.
Esse “antes e depois” representa um choque cultural para muitas organizações. Ambientes que antes priorizavam agilidade irrestrita precisam aprender a equilibrar velocidade com responsabilidade. O que antes era acesso amplo e conveniente passa a ser entendido como risco sistêmico. Nesse novo cenário, maturidade não é restringir por restringir, mas permitir com consciência, contexto e critério.
Avaliação de maturidade: o verdadeiro ponto de partida
Avaliação de maturidade em Zero Trust não é um checklist genérico nem um exercício burocrático para justificar auditorias. Trata-se de um processo analítico e estratégico que busca entender, com profundidade, como pessoas, identidades, acessos, processos e tecnologias realmente se comportam no dia a dia da organização, especialmente sob condições de risco.
É esse olhar crítico que permite responder perguntas incômodas, porém fundamentais:
- Quais ativos realmente importam para o negócio?
- Quem acessa o quê, quando, de onde e por qual motivo?
- Os privilégios concedidos fazem sentido hoje ou são heranças do passado?
- As decisões de acesso são baseadas em identidade, contexto e risco real?
Relatórios amplamente reconhecidos sobre violação de dados destacam o impacto financeiro de uma postura de segurança mais madura. No IBM Cost of a Data Breach Report 2025, por exemplo, o custo médio global de uma violação caiu de US$ 4,88 milhões em 2024 para US$ 4,44 milhões em 2025, graças em parte a uma detecção e contenção mais rápidas, impulsionadas por práticas avançadas de visibilidade, automação e controles de acesso baseados em risco.
Organizações que detectam e contêm incidentes mais cedo conseguem reduzir custos substanciais associados a interrupções operacionais, multas regulatórias e perda de confiança dos clientes. Esse tipo de insight reforça que identificar, medir e evoluir continuamente a postura de segurança não é apenas bom senso, mas uma vantagem competitiva mensurável.
Da teoria à prática: quando a avaliação de maturidade evitou um incidente
Imagine uma empresa de serviços financeiros em rápida expansão, operando em um ambiente híbrido – parte on‑premises, parte em múltiplas nuvens – com dezenas de integrações, APIs e times distribuídos. Do ponto de vista executivo, tudo parecia sob controle: nenhuma violação registrada, auditorias em dia e indicadores operacionais estáveis. A sensação era de segurança por ausência de incidentes.
Ao iniciar uma avaliação de maturidade em Zero Trust, o cenário real começou a se revelar. Não havia um grande erro isolado, mas uma sucessão de decisões antigas que nunca haviam sido revisitadas: contas de serviço com privilégios elevados “temporariamente”, acessos administrativos ativos fora do horário de expediente, autenticação multifator aplicada apenas a usuários finais e pouca visibilidade sobre como sistemas e APIs trocavam dados entre si.
Nenhum desses pontos, sozinho, representava um ataque em curso. O risco estava justamente na combinação deles. A organização não sofria por falta de tecnologia, mas por falta de contexto e governança contínua sobre identidades e acessos.
Meses depois, uma tentativa de acesso atípico ocorre a partir de uma conta legítima, em um horário incomum e a partir de um dispositivo fora do padrão histórico. Em um modelo tradicional, esse acesso teria sido aceito. No novo cenário, baseado em decisões contextuais, o acesso é automaticamente bloqueado. A identidade era válida, mas o contexto não.
Não houve vazamento, indisponibilidade nem comunicação de crise. O incidente foi contido antes mesmo de se materializar. Para o negócio, nada aconteceu. Para a segurança, tudo funcionou exatamente como deveria.
Esse é o impacto prático da maturidade em Zero Trust: problemas que deixam de virar incidentes e riscos que são neutralizados antes de ganharem nome.
Onde a TDSIS entra nessa jornada
Na TDSIS, Zero Trust não é tratado como projeto pontual, mas como processo contínuo de evolução.
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