Nos últimos anos, o modelo de segurança Zero Trust tem ganhado tração como uma resposta moderna e eficaz às transformações estruturais nas redes corporativas. A expansão do trabalho remoto, a migração acelerada para nuvem e o crescimento exponencial de dispositivos conectados (como IoT e BYOD) tornaram o perímetro de rede tradicional obsoleto. Nesse novo contexto, a adoção de uma arquitetura de confiança zero, onde cada acesso é continuamente validado e monitorado, passou de tendência a necessidade.
Embora tenha surgido em grandes corporações e órgãos públicos, especialmente após incidentes como o ataque à SolarWinds e a ordem executiva de cibersegurança emitida pelo governo dos EUA em 2021, o Zero Trust está sendo cada vez mais considerado por empresas de médio porte. Essas organizações buscam proteger seus ativos digitais com inteligência e escalabilidade, sem a necessidade de reconstruir do zero sua infraestrutura de TI. O avanço das soluções modulares e a redução das barreiras tecnológicas tornam essa transição mais viável do que nunca.
Neste artigo, abordamos os princípios do Zero Trust, os desafios específicos enfrentados pelas empresas médias e caminhos viáveis para sua implementação progressiva, incluindo estratégias práticas e soluções escaláveis disponíveis no mercado.
O que é Zero Trust e por que ele se tornou o novo padrão em segurança cibernética
O conceito de Zero Trust parte de uma premissa fundamental: “Nunca confie, sempre verifique.”
Diferentemente dos modelos tradicionais de segurança, que operavam com base em perímetros fixos (como firewalls de borda), o Zero Trust considera que nenhum dispositivo, usuário ou aplicação deve ter acesso confiável por padrão, independentemente de sua localização na rede.
Em termos práticos, isso significa que cada solicitação de acesso, seja para um sistema, aplicação ou recurso, deve ser autenticada, autorizada e criptograficamente validada antes de ser permitida. Por exemplo, mesmo um funcionário da área financeira que acessa o ERP diariamente precisa passar por uma verificação contínua, que avalia não apenas suas credenciais, mas também o dispositivo utilizado, sua localização geográfica, horário de acesso e comportamento recente.
O objetivo é reduzir a superfície de ataque e dificultar movimentações laterais dentro da rede, mesmo após uma eventual violação inicial.
Essa abordagem tornou-se essencial em um cenário no qual:
- O trabalho remoto se tornou comum
- A adoção de SaaS e nuvens públicas cresceu exponencialmente
- O volume de dispositivos conectados (IoT, BYOD) aumentou
- As ameaças cibernéticas se tornaram mais persistentes, sofisticadas e direcionadas
Segundo relatório da Forrester (2021), organizações que implementam arquiteturas Zero Trust reduzem em até 50% a probabilidade de uma violação significativa, quando comparadas a arquiteturas tradicionais.
Por que empresas médias estão no centro do alvo, e do problema
Ao contrário da percepção comum, empresas médias não são “pequenas demais para serem atacadas”. Pelo contrário: elas combinam ativos valiosos com defesas muitas vezes frágeis.
De acordo com o relatório Cost of a Data Breach 2023, da IBM, empresas com menos de 500 funcionários enfrentaram um custo médio de US$ 2,98 milhões por incidente de violação de dados. Além disso:
- 43% dos ataques cibernéticos globais miraram PMEs
- 62% das PMEs afetadas afirmaram não ter recursos para se recuperar completamente
- 1 em cada 2 empresas afetadas declarou não possuir segmentação de rede ou autenticação multifator no momento do ataque
Esses dados indicam um cenário preocupante: a maioria das empresas médias opera com estruturas de segurança legadas, mal segmentadas e com controles de acesso frágeis.
Caso SolarWinds : um divisor de águas na segurança digital
Já mencionamos anteriormente neste artigo o ataque à plataforma SolarWinds como um dos eventos que impulsionaram a adoção do modelo Zero Trust em escala global. Agora, detalhamos esse caso emblemático para entender seu impacto profundo – inclusive sobre empresas de médio porte.
Em dezembro de 2020, foi revelado que hackers comprometeram o software de monitoramento Orion, da empresa norte-americana SolarWinds, utilizado por cerca de 33 mil clientes no mundo inteiro, incluindo agências governamentais dos EUA, grandes corporações e uma extensa rede de empresas de médio porte que integravam cadeias de fornecimento ou serviços terceirizados.
O ataque envolveu a inserção de um código malicioso em uma atualização legítima do Orion. Uma vez instalada, a backdoor permitia acesso remoto, movimentação lateral e exfiltração de dados por longos períodos — em alguns casos, por até 9 meses sem detecção.
Empresas médias que utilizavam o software ou prestavam serviços a organizações afetadas foram atingidas de forma indireta, tornando-se vetores de entrada ou alvos secundários. Muitas dessas empresas não possuíam controles mínimos como segmentação de rede, validação contínua de identidade ou políticas de privilégio mínimo.
O caso evidenciou de forma contundente a necessidade de:
- Monitoramento contínuo e visibilidade de rede
- Auditoria rigorosa de software e fornecedores
- Políticas de privilégio mínimo para contas administrativas
- Segmentação e contenção para evitar propagação lateral de ameaças
O incidente mostrou que a fragilidade de um único ponto — mesmo em um fornecedor confiável — pode comprometer todo um ecossistema. A violação não explorou uma falha técnica comum, mas sim a confiança excessiva.
Como empresas médias podem adotar Zero Trust sem reestruturar tudo
Implementar Zero Trust não exige necessariamente a reconstrução completa do ambiente de TI. Trata-se de uma abordagem arquitetural baseada em princípios, que pode ser incorporada gradualmente. A seguir, destacamos os pilares fundamentais para uma adoção viável:
1. Gerenciamento de identidades e acessos (IAM)
A identidade se tornou o novo perímetro. Controlar quem acessa o quê, quando e de onde é essencial.
Boas práticas:
- Autenticação multifator (MFA) em todos os sistemas críticos
- Gestão de privilégios baseada em função (RBAC)
- Análise de risco em tempo real (por localização, dispositivo, comportamento)
Solução viável: WatchGuard AuthPoint — solução focada em autenticação multifator (MFA) e single sign-on (SSO), com integração a AD local, Azure AD e aplicações SaaS. Ela atende o pilar de MFA no Gerenciamento de Identidade e Acesso, uma excelente alternativa para fortalecer o controle de identidade em empresas médias como parte de uma estratégia Zero Trust.
2. Microsegmentação de rede
A segmentação da rede impede a movimentação lateral de atacantes. Em vez de uma rede plana onde tudo é acessível, cria-se compartimentos isolados com políticas específicas.
Boas práticas:
- Uso de VLANs, firewalls internos e ACLs
- Políticas de acesso entre zonas baseadas em identidade
- Isolamento de ambientes críticos (como financeiro, RH e infraestrutura)
Solução viável: Appgate SDP, solução de ZTNA (Zero Trust Network Access) que estabelece conexões seguras baseadas em identidade, contexto e políticas adaptativas, ideal para ambientes híbridos e altamente distribuídos.
3. Visibilidade e monitoramento contínuo
Zero Trust exige monitoramento ativo e adaptável. A coleta e correlação de dados devem permitir resposta a incidentes em tempo real.
Boas práticas:
- Consolidação de logs em sistemas SIEM
- Detecção de comportamento anômalo (UEBA)
- Integração entre endpoints, rede e nuvem
Solução viável: WatchGuard ThreatSync — XDR unificado com automação de resposta.
Zero Trust é uma evolução necessária e acessível
Adotar Zero Trust não é mais uma questão de escolha estratégica: é uma exigência da nova realidade digital. Para empresas de médio porte, o risco de não evoluir é maior do que o esforço da transição.
Ao estruturar um plano de adoção baseado em identidade, segmentação e visibilidade, utilizando soluções acessíveis e escaláveis, é possível alcançar um nível robusto de segurança sem comprometer a continuidade operacional.
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